
Existem doenças que chamamos de doença silenciosa pois por muito tempo não existem sinais ou sintomas evidentes. Mas a doença já está lá. Às vezes é possível identificá-las através de uma simples medida de pressão arterial (é o caso da hipertensão arterial sistêmica), de exames de sangue rotineiros ( como, por exemplo, no diabetes, algumas lesões renais, uma infecção pelo vírus da hepatite B) ou através de alguns exames mais específicos.
Entretanto, no caso dos transtornos mentais, por enquanto, ainda não há como identificá-los através de exames. É o próprio paciente que precisa ficar atento a como se sente, sua energia e suas emoções, seus pensamentos e até mesmo o seu estado físico geral ( sono, apetite, sintomas físicos diversos) para perceber que houve alguma mudança e que isso não é normal. E nem sempre é fácil diferenciar o normal do patológico. Às vezes os sintomas se iniciam de forma tão rasteira e se agravam tão lentamente que a pessoa vai se habituando e acha que é assim mesmo. Noutras vezes, chega a se perguntar se aquilo é só da sua cabeça ( e até pode ser!). Ou espera simplesmente que aquilo passe naturalmente ou com a famosa força de vontade. E o que mais frequentemente acontece é os sintomas irem se agravando e o sofrimento aumentar tanto que é muito difícil suportá-los ou outras pessoas também passam a perceber que há algo errado.
Não raro, ocorre uma peregrinação por outros profissionais de saúde procurando descobrir o que está acontecendo. Por que ando me sentindo tão cansado? Será que eu estou com uma anemia, um problema hormonal ou deficiência de vitaminas? E essa dor de cabeça que não passa? Será que estou com tumor na cabeça? E esses esquecimentos? Será que é normal? Ou será que é início de Alzheimer? Não tenho vontade de comer, às vezes sinto uma queimação no estômago, às vezes tenho diarréia. Será que estou com uma gastrite ou que tem intolerância à lactose? Não é possível! Eu devo ter algum problema cardíaco, sinto tanta dor no peito e o coração disparado… Não consigo dormir direito. Vou pedir um calmante para o meu médico. Será que é um problema espiritual? Quem sabe o pastor pode me ajudar. E se eu fizer um Heiki?! E se eu for num psicólogo para eu me entender melhor?!
Só então, e, frequentemente, ainda com certa resistência, se procura o psiquiatra. Alguns acham que é o final da linha, mas reconhecer que algumas dores podem ser emocionais, relacionadas ao funcionamento da nossa cabeça, pode ser o começo de uma mudança, de uma nova fase.


