Resiliência


A vida, com todas as suas belezas e possibilidades, também traz momentos de dor, perdas, frustrações e mudanças inesperadas. Ninguém está imune aos desafios – mas cada pessoa lida com eles de forma única. É nesse ponto que entra a resiliência, uma habilidade psicológica essencial para atravessar as adversidades e seguir em frente, mesmo diante das maiores dificuldades.

A resiliência não é sinônimo de ser forte o tempo todo, tampouco de “dar conta de tudo sozinho”. Ser resiliente é conseguir passar pelos momentos difíceis com humanidade, reconhecendo suas emoções, acolhendo suas fragilidades e, ainda assim, preservando a esperança e a capacidade de se reinventar.

Mais do que uma característica inata, a resiliência pode e deve ser desenvolvida e fortalecida ao longo da vida. Isso acontece por meio da construção de vínculos saudáveis, da ampliação do autoconhecimento, do desenvolvimento de estratégias para lidar com o estresse e, muitas vezes, com o apoio de um acompanhamento psiquiátrico ou psicoterapêutico.

Ao buscar ajuda profissional, você dá um passo importante para compreender suas emoções, acessar recursos internos que talvez estejam adormecidos e aprender a construir uma narrativa mais compassiva sobre sua própria história.

A resiliência é isso: não é sobre evitar as dores da vida, mas sobre aprender a atravessá-las com mais consciência, apoio e equilíbrio emocional.

Se você sente que precisa de ajuda para lidar com os desafios que está enfrentando, saiba que você não está só. Buscar ajuda é um ato de coragem – e um dos primeiros passos para resgatar sua força interior.

Vamos falar um pouco mais sobre resiliência?

Resiliência emocional: como lidar com os desafios da vida com mais equilíbrio.

A vida traz problemas – momentos de dor, perdas, frustrações, mudanças inesperadas e riscos. Mesmo assim ela segue com todas as suas belezas e possibilidades. E é isso que a pessoa resiliente percebe. Portanto, tem um humor invejável, não se abate facilmente, permanece otimista, busca soluções, não culpa os outros pelos seus fracassos, não julga seus agressores e ainda é capaz de compreender por que agiram de forma tão drástica.

Vamos explorar oito características centrais de indivíduos emocionalmente resilientes:

1 – Regulação emocional

Capacidade de reconhecer, nomear e modular suas emoções, especialmente em situações de estresse ou adversidade. A pessoa resiliente consegue consegue entender o próprio sentimento e responder de forma calma, com certo grau de estabilidade emocional mesmo em contextos desafiadores. Na prática psiquiátrica, vemos que a dificuldade de regular emoções pode estar presente em diversos quadros, como depressão, transtornos ansiosos e TDAH. Intervenções combinadas – como psicoterapia, estratégias de autorregulação e, em alguns casos, suporte medicamentoso – ajudam o paciente a retomar o equilíbrio e fortalecer a resiliência emocional.

2 – Autoeficácia

É acreditar em si mesmo, na própria capacidade de enfrentar problemas, tomar decisões e influenciar positivamente os acontecimentos da vida. É a confiança de que “eu sou capaz de fazer isso”, mesmo quando a tarefa é difícil. Frequentemente a autoeficácia está comprometida em casos de fobia/ansiedade social, quadros depressivos ou transtornos de adaptação. O bom controle dos sintomas ajuda a encarar problemas como situações a serem enfrentadas, e não como ameaças. Isso motiva a ação, mesmo diante da insegurança ou do medo.

3 – Flexibilidade cognitiva

Capacidade de mudar de perspectiva, buscar múltiplas soluções para um problema e adaptar-se a novas circunstâncias. Está relacionada com a habilidade de “pensar fora da caixa”, enxergar várias perspectivas e encontrar soluções alternativas. Assim, é uma pessoa que lida melhor com imprevistos, não fica se lamentando, adapta suas estratégias de acordo com a situação. Em vez de insistir em “como as coisas deveriam ter sido”, ela foca em “o que pode ser feito agora”. Em casos de transtornos que envolvem rigidez cognitiva, como TEA, TOC ou transtornos de personalidade, o cuidado integrado é essencial.

4 – Otimismo realista

O pessimismo e a desesperança são comuns nos quadros depressivos e em outros transtornos crônicos. Mas, acredite, é possível melhorar e desenvolver uma visão positiva do futuro, sem negar os aspectos negativos da realidade. Trata-se de um otimismo baseado em ação e planejamento, não em negação. Diferentemente de um otimismo cego que finge que não existem dificuldades, o otimista realista reconhece limitações e obstáculos, mas acredita na possibilidade de superá-los e age para atingir seus objetivos. Não se deixa abater facilmente e aprende com as falhas, em vez de desistir.

5 – Locus de controle interno

Pessoas resilientes geralmente acreditam que seus esforços influenciam os resultados, em vez de atribuí-los unicamente à sorte ou ao destino. O fatalismo e a vitimização passam longe dos resilientes, ao contrário, tendem a se perceberem como agentes ativos de mudança. Esse senso de protagonismo é frequentemente trabalhado ao
longo do tratamento psiquiátrico, especialmente em pacientes que se sentem impotentes diante das situações. Recuperar a percepção de controle é um fator chave na melhora da autonomia e da motivação.

6 – Sentido de propósito

Ter metas, valores e um senso de propósito claro favorece a resiliência. Esse “norte” interno ajuda a atravessar crises com mais sentido e coesão interna. Quando sabemos por que estamos lutando e que aquilo pelo que luta vale a pena, fica mais fácil aguentar os percalços ao longo do caminho. Na psiquiatria, valorizamos muito esse aspecto: pacientes que conseguem se reconectar com algo que lhes dá sentido – mesmo em meio à dor – apresentam melhor resposta ao tratamento e maior adesão às mudanças necessárias para a recuperação.

7 – Habilidades sociais e suporte social

Saber cultivar vínculos protetores, se comunicar, cultivar empatia, pedir ajuda quando necessário e oferecer apoio aos outros – são qualidades sociais que andam de mãos dadas com a resiliência. Muito do foco em resiliência recai sobre forças individuais, mas estudos mostram que o apoio social pode ser o fator mais importante para vencermos adversidades. Alguém resiliente tende a buscar conforto em amigos ou familiares, conversando sobre o que sente, em vez de se isolar completamente. Transtornos psiquiátricos podem afetar negativamente essas habilidades – por timidez, retraimento, impulsividade ou irritabilidade – e muitas vezes o tratamento medicamentoso pode auxiliar no controle dessas características.

8 – Tolerância à frustração e à ambiguidade

Capacidade de é a capacidade de suportar e gerenciar emoções desagradáveis – a incerteza, com situações não resolvidas e com frustrações – quando as coisas não saem como o esperado sem se desorganizar emocionalmente ou agir impulsivamente. Uma pessoa com baixa tolerância à frustração poderia reagir no esquema “tudo ou nada” e se sentir um fracassado e inútil, ou reagir de forma extrema, como ter um acesso de fúria, ou ainda, sentir seu orgulho ferido e desistir ou culpar os outros injustamente. Pessoas resilientes conseguem responder de maneira mais equilibrada, rever a situação, aceitar o que não pode ser mudado e buscar alternativas. O
tratamento psiquiátrico com o controle de sintomas depressivos ou impulsivos pode ajudar a estabilizar essas respostas e facilitar o desenvolvimento de estratégias mais saudáveis.

Muitas pessoas acreditam q a resiliência é inata. As pessoas simplesmente nascem assim. Mas isso é um mito. Cada uma dessas capacidades adaptativas podem (e devem) ser desenvolvidas. Aos poucos. Com tempo. Com esforço. Com dedicação e persistência. Com apoio. Praticar regulação emocional no dia a dia, construir sua autoeficácia ao vencer pequenos desafios, estimular a flexibilidade cognitiva aprendendo coisas novas, cultivar um otimismo realista diante das notícias ruins, adotar um lócus de controle interno nas decisões, encontrar e nutrir um propósito de vida, investir em relacionamentos saudáveis e aumentar sua tolerância à frustração – tudo isso contribui para uma mente mais resiliente. Lembre-se de que não estamos sozinhos nessa jornada. Se parecer difícil desenvolver essas habilidades por conta própria, buscar apoio profissional, até mesmo medicamentoso, pode
fazer toda a diferença. Você não vai evitar as dores da vida, mas pode aprender a atravessá-las!

Se quiser conversar mais sobre isso, entre em contato. Vai ser um prazer te acompanhar nesse processo de crescimento.

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